[Eventos/Seminários ] [Presencial] - 26 a 28/10/ 2023 - "I ENCONTRO INTERNACIONAL SALVAGUARDA, COMUNICAÇÃO E MEDIAÇÃO DIGITAL DO PATRIMÓNIO CULTURAL". Porto (Portugal) | Local: Instituto Porto - Pernambuco.




Assisti como ouvinte e todas as comunicações colocaram questões interessantes para o tema, e quero destacar aqui neste relatório três apresentações: A conferência de abertura proferida por Mark Mudge, a apresentação de Mario Mesquita e a de Catherine Clarke.

- A proposta do ISCDMCH:
O crescimento das potencialidades do digital aplicadas à comunicação e mediação do Património Cultural e consoante às diretrizes internacionais presentes nos Princípios de Sevilha (2011), os conceitos enunciados na Carta de Londres (2014) e mais recentemente da Carta de Porto Santo (2021), este Encontro Internacional que aconteceu na cidade do Porto, Portugal, fomentou uma abordagem multidisciplinar, que reuniu áreas como a Arqueologia, História e História da Arte, Museologia, Estudos do Património, Desenho Digital, Arquivística e Inteligência Artificial. 

No seguimento do que sugere a Carta de Porto Santo, a utilização dos “territórios digitais” pode constituir “um espaço aberto de interação, apropriação e promoção da democracia cultural, até do ponto de vista da criação (…)”, inclusive como meio de conexão entre as instituições e os cidadãos de uma determinada comunidade. É nesse sentido que estas ferramentas  podem ser úteis às pessoas e envolvê-las nas políticas culturais do património que lhes pertence e do qual fazem parte. Este encontro criou um espaço de reflexão sobre o caráter multidisciplinar destes “territórios digitais” e sua importância para o exercício da democracia cultural local, nacional e internacional. 

As comunicações se organizaram segundo dois tópicos: 
1-Registo, salvaguarda e acesso (Documentação e conservação do Património Digital; Digitalização do Património Cultural; Conservação do Património Cultural através de AR, VR e Metaverso, Sustentabilidade e Património Digital). 
2- Pesquisa, comunicação e mediação (Investigação e comunicação do Património Cultural; Experiências imersivas; Comunidades online para o Património Cultural; Promoção da cidadania e da coesão social através do Património Digital)


Mark Mudge
"Democratizando a Coleção, Difundido Digital: Acesso, Preservação e Perpetuação de Património Cultural da Humanidade"

Mark é o presidente da Cultural Heritage Imaging (CHI), uma organização sem fins lucrativos, com sede em São Francisco, Califórnia. A CHI promove a democratização da tecnologia através o desenvolvimento de métodos de fotografia computacional acessíveis para fins de documentação do patrimonio cultural, incluindo Reflectance Transformation Imaging (RTI), Imagem multiespectral e fotogrametria. O CHI também fornece ferramentas para simplificar gestão de metadados científicos e deposição arquivística para que este registo possa ser feito por profissionais do património cultural, comunidades culturais e os cidadãos académicos e assim poderem falar por si e permitir a reutilização informada às gerações futuras.

Mário Mesquita
"Novas formas de ser arquivo"

Mário Mesquita é Coordenador da Comunidade de Inovação Pedagógica - UP "PTRI". É Investigador Integrado no Instituto de Investigação em Arte Design e Sociedade (i2ADS). Investigador Colaborador no Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura Espaço e Memória (CITCEM). Investigador Principal na Águas e Energia do Porto. 

Na sua apresentação, Mário Mesquita pergunta: "Que processos podem tornar os arquivos produtivos?" Ele propõe uma forma tornar os arquivos dinâmicos. Os arquivos convencionais tendem a ser definidos como contentores específicos de acumulação de material de acordo com uma determinada ordem/ narrativa. Contrastando com esta prática e preservação arquivística, o arquivo dinâmico abre novos campos de trabalho nos quais se auto transforma, criando novas relações. 

Nesse sentido, essa nova forma de arquivo aponta novos caminhos para os espaços de Conhecimento, que podem ser reprogramados, redesenvolvidos e “redesenhados”. Criando aí umespaço no qual os documentos e testemunhos se abrem para novas dinâmicas e fluxos, diversificando a comunicação e o acesso. 

Sobre o que ele chama de arquivos estáticos, é posto questionamos de como é que este tipo de arquivo convencional, estático, pode oferecer novas perspectivas em práticas de arquivo, e ter outras dinâmicas e que “desenho” pode ser aplicado de modo a conter diferentes e diversas formas de “existência”?. 

Mário está a falar de um arquivo/museu/exposição no qual possa haver interligação intelectual e física entre os vários elementos informacionais que o compõem. Fala de um arquivo, de raíz histórica e de equilíbrio entre o material e o imaterial, onde a plataforma analógica e a digital possam conviver maximizando-se mutuamente. 

E sobretudo, Mário está a falar de um arquivo, já não como um depósito, mas como um espaço de informação físico, acessível em todas as suas vertentes aos utilizadores especialistas e ao público em geral, capaz de contar uma narrativa e de possibilitar a construção de outras, a partir da multiplicidade de pontos de vista e campos de análise que o sujeito ou os sujeitos lhe possam aportar contribuindo para a sua permanente renovação. 

Nesse sentido, o edifício não se dissocia do conteúdo, o seu desenho deve propiciar múltiplas organizações e, sobretudo, funcionar como um centro de informação e interpretação dos seus acervos. 

"O arquivo físico passa, com este modelo a seguir a arquitectura da plataforma digital que o suporta, com ela entabulando diálogos permanentes e fazendo com que o acesso público, pela via digital e virtual, possa espelhar-se nas dinâmicas que podem ser geradas no seu interior. Salvaguardando pela máxima exposição pública." 


Mário Mesquita é Doutorado em Arquitectura em 2015/12/16 pela FAUP. Mestre em Planeamento e Projecto do Ambiente Urbano em 1998/11/20 pela FAUP/FEUP. Licenciado em Arquitectura em 1995/07/15 pela FAUP. Professor Auxiliar na FAUP: “Projecto 5” e "Porto: Territórios e Redes da Invisibilidade". 14 Professor na INOVPED "A Comunidade como Prática". Professor Convidado no curso de "Formação Avançada em Interpretação e Criação Coreográfica". Professor no curso "Beyond Museums Training course" da UNESCO Chair "Water Heritage and Sustainable Development", Ca' Foscari University of Venice (Italy).  (1995-...).

Catherine Clarke
Interpretando o Patrimônio Invisível: Reanimando as
histórias ocultas dos lugares.

Quais são os desafios da interpretação patrimônio invisível? Que tipos de ferramentas digitais são eficazes? E como pode a mediação património invisível conduzem a um reconhecimento público mais profundo do seu valor e a um reconhecimento mais robusto salvaguarda?

Catherine na sua comunicação colocou essas perguntas e falou de estratégias para interpretar e salvaguardar o património local invisível, cada uma usando métodos digitais para envolver visitantes e locais. A interpretação do património local baseia-se frequentemente em características materiais visíveis. Porém, ainda grande parte do património local é invisível ou oculta. O projeto City Witness: o objetivo é recuperar a paisagem urbana medieval apagada de Swansea na cidade pós-industrial de hoje; o projeto São Tomás Way procurou reanimar os lugares e histórias perdidas das fronteiras medievais do País de Gales através de uma rota de peregrinação digital multimídia; e o atual projeto Mundos Invisíveis usa ferramentas como um aplicativo de smartphone para revelar a herança oculta de Alderley Edge, Inglaterra – tanto as minas e cavernas subterrâneas do local, como as tradições multifacetadas
de contar histórias que tornam o lugar único. 




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